Aqui no nosso consultório recebemos muitos pacientes com lesões no manguito rotador do ombro. A maioria deles têm dúvidas quanto a sua patologia e prognóstico. A partir disso elaboramos o material abaixo com as perguntas mais comuns. Esperamos que ajude!

O que é manguito rotador? Onde ele se localiza?

O manguito rotador é um conjunto de 4 músculos e seus respectivos tendões localizados ao redor do ombro. Dois tendões se localizam na parte de trás do ombro, um na parte superior e um na parte anterior, sendo que este último se origina na escápula e se insere na parte da frente do ombro.

Qual a função do manguito rotador?

Esses 4 músculos que formam o manguito rotador são responsáveis pela estabilização da articulação do ombro, e também por alguns movimentos do braço como a elevação e as rotações.

Quais as lesões mais comuns no ombro?

A maioria das lesões do ombro são atraumáticas e/ou degenerativas e são relacionadas às estruturas como tendões e bursas, localizados nesta região. Dentre elas podemos citar as tendinopatias, bursites e rupturas de tendões.

Como é realizado o diagnóstico das lesões do manguito rotador?

O diagnóstico é essencialmente clínico mediante história e exame físico minucioso e específico. Para confirmação do diagnóstico se utiliza exames de imagem como a ecografia ou ressonância magnética.

O que faz um tendão normal desenvolver tendinopatia?

A origem da tendinopatia é multifatorial, tendo causas intrínsecas, extrínsecas ou a combinação dos dois. Dentre as causas intrínsecas temos as mudanças que o tendão sofre naturalmente no processo de envelhecimento (a partir dos 35-40 anos), como vascularização, propriedades mecânicas, morfológicas e adaptação/cicatrização quando a carga tênsil excede a capacidade.

Já os mecanismos extrínsecos estão mais relacionados à compressão do tendão por fatores anatômicos, biomecânicos, ou uma combinação de ambos. 

É importante salientar que tanto o overuse quanto o underuse estão relacionados à tendinopatia, ou seja, tanto cargas excessivas/repetitivas quanto a falta de tensão sobre o tendão predispõem ao surgimento de lesões tendíneas.

Por que os tendões do ombro rompem?

As rupturas atraumáticas fazem parte de um processo degenerativo e apresentam uma origem multifatorial, sendo que fatores como diabetes, obesidade e tabagismo podem aumentar as chances de ruptura e de re-ruptura após cirurgia de manguito rotador.

Por que dói?

Antes de tudo, é importante salientar que nem sempre dói, muitas pessoas têm tendinopatia e até mesmo ruptura de algum tendão e não sentem nenhuma dor. Além disso, a intensidade da dor NÃO é relacionada à gravidade da lesão.

Porém, a dor no ombro relacionada ao manguito rotador tem origem multifatorial. Além da lesão estrutural, fatores biológicos, psicológicos e sociais também interferem na intensidade da dor.

Por que dói de noite?

Alguns fatores contribuem para a dor noturna como a compressão ao dormir em cima do braço, fatores neurofisiológicos relacionados ao sono e o fato de o foco de atenção estar mais voltado para o ombro no período da noite do que durante o dia.

Como tratar?

O tratamento padrão ouro para as lesões degenerativas/atraumáticas relacionadas ao manguito rotador são os exercícios terapêuticos com carga progressiva. Além disso, a terapia manual também auxilia na analgesia. Educar o paciente é essencial para o auto manejo e para evitar repouso completo. Terapias passivas até podem ser utilizadas no curto prazo, em casos de irritabilidade alta, onde há muita dor, porém o tratamento é basicamente pautado em exercícios e terapia manual.

Quando operar?

Nem toda ruptura de tendão do manguito rotador precisa de cirurgia. Rupturas degenerativas podem ser tratadas de forma conservadora, porém em alguns casos a cirurgia ainda é necessária.

Existem alguns critérios cirúrgicos que aumentam a chance de cirurgia. Dentre eles podemos citar: 

  • Lesões médias a extensas acometendo 2 ou mais tendões;
  • Perda funcional grave, com pseudoparalisia. O paciente não consegue elevar o braço;
  • Atividade laboral/esportiva que exige alta demanda do ombro;
  • Dor persistente, também em repouso e que atrapalha o sono; 
  • Falha no tratamento conservador (no mínimo 3 meses).

Todo paciente com ruptura degenerativa, DEVE ser submetido à reabilitação por no mínimo 12 semanas, antes de ser encaminhado para a cirurgia.

Como é o pós-operatório de lesões do manguito rotador?

O sucesso da recuperação após cirurgia de MR depende em grande parte dos cuidados no PO.

A recuperação completa dura em média 20 a 26 semanas, após a cirurgia.

A fase inicial tem como foco o controle da dor e a imobilização. O paciente utiliza a tipoia por 4 a 6 semanas, dependendo do tamanho da lesão e quais tendões foram acometidos. 

Caso o paciente seja liberado nas primeiras 4 semanas para a fisioterapia, o foco nesta fase será a educação do paciente para posturas de conforto, orientação quanto aos cuidados necessários, controle da dor, movimentação de articulações adjacentes como punho e cotovelo. O ombro NÃO é mobilizado nestas primeiras 4 semanas, pois a mobilização precoce pode aumentar o risco de re-ruptura do tendão.

Após a retirada da tipoia, a reabilitação inclui exercícios para ganho de amplitude do ombro, de forma controlada e progressiva. Inicialmente com mobilizações passivas, com baixa velocidade, feitas pelo fisioterapeuta, ou mesmo pelo paciente em casa. 

Nas semanas seguintes, o tratamento evolui com mobilizações ativo-assistidas seguidas de mobilizações ativas. Posturas facilitadas pela gravidade (deitado, inclinado) são muito usadas inicialmente, e com o tempo o tratamento progride para posturas em pé.  O paciente não evolui para a fase de fortalecimento sem antes atingir a amplitude completa de movimento.

Por volta da 12ª semana, inicia a fase de fortalecimento com carga, caso o paciente apresente boa condição muscular, amplitude de movimento completa do ombro e esteja sem dor. 

O tratamento evolui desde exercícios mais simples até os mais complexos de acordo com a necessidade laboral ou esportiva de cada paciente.

Para recuperação completa, é essencial seguir as orientações do seu cirurgião e do seu fisioterapeuta, respeitando os tempos de reparo do tendão.

Se você sofre com este problema e tem dúvidas, nós podemos te ajudar, marque uma avaliação conosco.